janeiro 31, 2017

40 Graus

Febre.
Febre de sentir
Febre de pensar
Febre de viver.
Febre de saudade
Febre de silêncio
Febre de poder e querer ir além.
Mas.
Febre de sonhos
Febre de argumentos
Febre de prosa.
Uma febre que é sim e não.
Febre de distância
Febre irriquieta
Febre latente
Febre presente.
Febre.

novembro 15, 2016

àguas

Que sonho! era eu num navio gigantesco. 
Quando eu me voltava para o lado direito, o mar estava calmo, numa eterna serenidade azul, entediosa, confesso.
Ao olhar para o lado esquerdo, as ondas estavam agitadas, mas ainda eram um azul transparente que me permitia ver animais marinhos de todas as espécies que se moviam como que numa dança ensaiada. A luz do sol refletia na água e multiplicava-se em cores vívidas e eu me debruçava na proa para poder ver tudo isso mais de perto. Tinha cheiro e frescor de vida.
Quando dei por mim, eu já não era eu, mas era um animal marinho. Queria com todas as minhas forças (e precisava por questão de vida ou morte) escolher um dos lados e me atirar. Tive medo por nunca ter me lançado em águas tão profundas, e pensei que seria muito mais fácil me lançar nas águas tranquilas da visão à direita. Mas, por algum motivo não fui. Meu desejo era o lado esquerdo, onde tudo era mais bonito, maior e poderia me fazer sentir viva ao desbravar o desconhecido, sem limites.  
Acordei antes de me decidir e me aventurar nas águas.
Quais sensações me esperariam? 
#pensandosobre


novembro 02, 2016

Dúvida

Quem ainda escreve cartas?

outubro 31, 2016

Eu amei ver vocês!


Hoje eu não tenho uma sensação inédita para contar. Hoje quero compartilhar o quanto me senti feliz em reencontrar amigos após ficar tanto tempo sem ver rostos conhecidos. Nós não combinamos nada, mas nos encontramos ao final do culto no domingo á noite. Que sensação deliciosa! Eles não eram amigos tão próximos assim, talvez apenas conhecidos, mas me senti em casa na presença deles. Saímos para comer alguma coisa e ficamos por horas ali falando sobre o lugar, amenidades, amigos em comum... Foi tão bom que as horas passaram rapidamente e logo já era hora de ir.
Confesso que há tempos tenho muita preguiça de ficar até tarde na rua e passei a valorizar menos a companhia de outros, mas, o que vivi ontem, me fez voltar a enxergar o valor de momentos como este.. de compartilhar, de rir a toa, de conversar com alguém que não seja aquelas mesmas pessoas que tenho convívio diário.
Ah... (isso foi um suspiro de contentamento, com um leve sorriso de canto de boca e o olhar voltado para a esquerda) como está sendo revigorante ter novas sensações.. experiências singulares... dias que estão sendo grandiosos para mim.

outubro 29, 2016

Sensações Inéditas 3. Descobrir uma nova companhia

Outubro, vigésimo nono dia, 2016. Estou no sexto dia de viagem e hoje me surpreendi com minha atitude. Desesperada por companhia, comecei a observar os outros hóspedes enquanto tinham seu breakfast. Como uma predadora, procurei analisar a linguagem corporal de cada um e qual talvez poderia ser minha presa, digo, meu novo amigo.
Encontrei uma mulher, com aparência de no máximo 33 anos, morena.. estava sozinha à mesa, e comia pouco - aparentava estar de dieta pois comia gelatina e por quais cargas dágua alguém comeria gelatina no café da manhã? Estava atenta ao seu celular. Suas expressões eram sérias e tímidas.
Eu observava atentamente e ao mesmo tempo, travava uma batalha interna com minha timidez. Levei ao menos 10 minutos nesse embate até me aproximar da mulher e dizer: bom dia, posso me sentar contigo?
Ana estava aqui há cerca de 2 semanas fazendo um curso para se tornar instrutora de auto escola, e ficaria por mais duas. Como eu poderia imaginar que aquela moça estava com sentimentos gêmeos a mim - solitária e ávida por companhia.
Terminamos o café juntas, fomos dar uma volta no bairro e descobrimos muitas coisas em comum e nos tornamos parceiras de viagem. Ana e eu agora não teremos mais refeições solitárias e agora, poderemos juntas desbravar a cidade desconhecida.


outubro 27, 2016

Sensações Inéditas 2. Sentir falta de rostos conhecidos.


Sempre me achei a pessoa mais desapegada desse mundo. Gosto de estar sozinha. 
Mas, esse tempo longe de casa está me fazendo pensar melhor sobre isso. Este é o meu quarto dia em viagem, sem nenhum parceiro. Conheci algumas pessoas e fomos a alguns lugares mas sem nenhuma conversa profunda ou aquela intimidade gostosa que temos com aqueles que são próximos de nós. Não acho que seja negativa esta experiência, ao contrário, a riqueza de compartilhamento é absurda em momentos como este. 
O que quero dizer é que, mesmo que tantos tenham passado por mim... mesmo que tenha esbarrado em tantos alvoroçados nas ruas da "cidade grande", sinto falta de companhia para o café; Da reunião aos domingos para o almoço (neste não estarei lá); Do caminho do trabalho para casa e do reencontro com os amigos nos ensaios; De ficar à calçada com o Tobias, acarinhando seu pelo. 
Sinto falta da paz e do aconchego de encontrar rostos conhecidos. 
... continua.

outubro 24, 2016

Sensações inéditas 1. Ver acima das nuvens

Voar é uma sensação louca de poder estar acima das nuvens, num poderio absoluto de contornar a natureza terrestre humana, mas ao mesmo tempo, ser totalmente vulnerável. A superfície se afastando aos poucos e o infinito se aproximando suavemente. Apesar de um pouco de ansiedade e mãos suando absurdamente, foi uma sensação deliciosa ver além das nuvens. Mesmo apenas olhando pela janela eu podia me imaginar caminhando por elas, saltitando de uma a outra como nos desenhos animados. Eu podia ver formas diversas (tipo, aquela nuvem parece "isso"), mas se eu pudesse definir... aquelas nuvens eram um oceano gigante e eterno que não me afogava, mas me abraçava suavemente. Por um minuto, senti que eu pertencia àquele lugar. Mas, não... quero as nuvens como mais uma boa lembrança e uma contemplação íntima, que registro mais uma vez aqui.

24/10/2016.