"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."
novembro 20, 2015
Sobre biscoito recheado e doces
novembro 19, 2015
Espera por uma nuvem 2
Eu esperei a noite inteira e você ficou lá,
Tez altiva, me encarando olho a olho.
Eu sei que me justifiquei, disse que sua presença bastava
Mas não!
Menti.
Não quero você por perto se não trouxer consigo a chuva.
Eu quero a chuva.
Quero água que brota das suas entranhas.
Sei que notou minha revolta,
E num joguete para disfarçar suas intenções verdadeiras
Gotejou em minha terra, minha varanda, meus cabelos.
Mas eu sabia que não devia confiar em você
Por isso não cobri meus ombros,
Não fechei as janelas,
Tampouco tirei as roupas do varal.
Mais uma vez, te encarei, e segui meu caminho.
Olhe,
Eu sei que sua vingança pode ser explosiva,
Podes vir violentamente
Ou podes me deixar por semanas a fio.
Mas, como mortal e humana que sou
Peço-te, derrama-te sobre nosso solo
Fica.
novembro 18, 2015
Espera por uma nuvem
novembro 16, 2015
ANOS 2000
Produza. Faça. Crie. Monetize. Lucre.
Confesso que estas palavras tem me atormentado nos últimos tempos. Esse conceito de que não podemos ficar parados esperando a vida acontecer diante dos nossos olhos, que precisamos crescer e ser bem sucedidos a qualquer custo está sufocando esta geração.
Sou daquelas que busca os melhores resultados, a melhor performance... extremamente competitiva comigo mesma - sim, quero me ultrapassar dia após dia. Sou daquelas que, como tantos atualmente têm sido atingidos por sintomas psicossomáticos: de dores no corpo inexplicáveis, mal estar digestivo constante, explosões emocionais por motivos bobos, falta de concentração e foco. Sou daquelas que, por sorte, coincidência ou ajuda divina, conseguiu sair de férias para tentar colocar a cabeça no lugar e se acalmar.
Daí, no auge do "fazer vários nadas", vamos para as redes sociais, ok? Ok.
Curta. Poste uma foto mais legal que a do seu amigo. Seja cool. Entre nas modinhas. Compre. Venda.
Confesso que tanta pressão tem me atormentado nos últimos tempos. Mas o que fazer se a previsão é de que tudo se torne virtual e tudo seja alcançado a um "touch". Não haverá mais mundo real, é o que dizem. Então eu preciso construir a minha persona neste mundo, correto? São anúncios por todo lado, não consigo saber nem para onde olhar. Nem a rede social é somente social.. é comercial também.
Certo, vamos ver TV. Não, não vamos mais. Por que se eu for colar a testa na telinha, sei que vou ser bombardeada com tanta desgraça, que aos poucos ver este tipo de coisa se tornará corriqueiro, e vou me acostumar com toda essa sangria.
Os amigos? Sim, estão no Whatsapp, ali, disponíveis na maior parte do tempo. Geralmente, quando não estão ali, estão ocupados demais com suas vidas ou fingindo que estão, pra não precisar perder tempo com ninguém, afinal... Deixa eu cuidar da minha vida que eu ganho mais.
Sei que o que descrevi, não acontece com todo mundo. Só quis ser um pouco dramática ou caricata com o mundo em que vivemos hoje. Todo esse drama é por um minuto de paz. É pra poder colocar na minha própria cabeça que preciso não precisar ser nada de vez em quando. Pra me tornar consciente de que não é tentando prever todas as possibilidades e variáveis que vou ser mais ou menos "bem aventurada" na vida.
novembro 10, 2015
Rascunho.1
Costumeiramente eu paro para analisar a vida. Eu reparo bem onde estou, quem está à minha volta e o que estou fazendo. Dessa análise, eu sempre rabisco rascunhos, vou tecendo mil pensamentos e quando algo me angustia e percebo que tá tudo errado, eu penso em largar tudo e sair correndo para qualquer lugar distante.
Eu sempre achei que quando eu fosse adulta, mais velha e madura ou ainda, quando eu fosse "independente" seria muito mais fácil mudar assim radicalmente. Sempre achei que escreveria minha história sem nenhuma curva... sem dúvidas que colocariam à prova tudo o que acredito como verdade. Que só o fato de eu tomar a decisão de mudar em relação a algo, faria com que tudo mudasse.
´Mas não. Aquilo de definimos como "usar sapatos apertados" nos segue com mais intensidade ainda quando somos adultos. Há um tempo atrás tomar certas decisões, fazer certas loucuras não seria tão absurdo. Diriam: "Ah, ela é apenas uma adolescente, por isso agiu assim."
Hoje há tanta coisa em jogo... mas é insuportável caminhar com um bigorna enorme presa aos pés. É insuportável não poder ser autêntica, livre...ou ser livre demais, quando não deveria ser.
Eu continuo aqui fazendo mil cálculos. Sonhando voar mais alto... Desejando ardentemente viver muito além do que vivi aqui, nos meus dias-a-dia de casa pro trabalho e do trabalho para a igreja. Eu continuo aqui com os olhos brilhando quando vejo alguém que simplesmente foi e fez não ficou adiando sua vida para sempre.
Meu diário de viagens? Não tenho um, mas se tivesse estaria praticamente em branco.
Eu não quero só viagens. Mas, "eu gosto do gosto da coragem, a melhor viagem é seguir a trilha que eu abri." Seria algo por esse caminho.
julho 02, 2015
Remédio Ruim
junho 10, 2015
Preparo
junho 03, 2015
Praçaria Cotidiana.
As noites continuam quentes. Eu por vezes planejo ir à praça escrever um pouco. Sobre aquela praça eu não consigo dizer muita coisa, mas ela poderia escrever páginas e páginas sobre mim. Cada um de nós tem uma praça em sua vida - eu tenho duas.
Eu quero voltar lá não para viver uma nova história, mas para apenas descobrir e observar a história de outros e ficar ali no canto, silenciosamente documentando tudo o que vejo (quem sabe finalmente um projeto). Serei como ela mesma - a praça que tudo vê, que convive com todo mundo, que dá abrigo aos que só tem um papelão para deitar.
Eu me lembro... um dia eu estava na Praça. Ao meu lado sentou-se um senhor muito humilde que trazia consigo suas roupas velhas e uma marmita nas mãos. Num gesto bastante nobre, perguntou se eu aceitava um pouco de sua refeição e eu, assustada, não aceitei. Na praça havia um garotinho de cabeça quadrada brincando com sua avó todos os dias. Na praça haviam cães lânguidos e pulguentos, á vontade em seu lar. Na praça haviam casais de namorados felizes. Na praça tem muita vida, muita história. Eu quero estar lá.
23/04/2014.
maio 17, 2015
Brincadeirinhas de Elevador
Em meio a poucas sugestões descabidas, perguntei a ele se conhecia algum elevador. Eu falei brincando, pois mais cedo tinha visto algo na TV sobre cenas interessantes em elevadores, mas, sim, ele conhecia e levou a sério minha brincadeira. Em poucos minutos concordamos em nos ver no endereço combinado. Eu segui a caminho, curiosa, mas nem um pouco indecisa.
Ali de frente para a porta do elevador - Eu sorria, aquele sorriso de canto de boca de quando se está aprontando. Ele, aparentava uma seriedade e segurança que me deixava em paz, mas sei que seu interior guardava um coração inquieto. E quando a porta se abrisse? E quando esta em seguida se fechasse? E depois?
Depois foi um abraço de reencontro sereno, quente, tranquilo. E mais depois um pouco um passeio pelos mesmos andares... sobe e desce... pára e caminha. Pára. Congela o tempo naquele andar em que eu procurei qualquer coisa naquelas quatro paredes para ler ou reparar, antes que começassem a me brotar insanidades. Mas ele não me permitiu deixar de sentir. Por vários momentos hesitei entre dar um passo a frente ou fazer um comentário qualquer. Fiquei com a segunda opção.
Resisti às palavras dele, aos seus gestos, à sua pele.
Para não gastar mais os botões do elevador, nos recolhemos às escadas... eu já estava tonta de tanto.
Conversamos minutos vários, eternos. Rir, contando causos e coisas do dia a dia, do passado, do "dalí a 1 hora"...
Já era hora de ir e o abraço prometido se repetiu. Este agora mais demorado, mais próximo, mais sentidos.
Conferí o perfume, o toque, o jeito. Estava tudo do mesmo jeito que deixei há algum tempo.
Eu me lembro que sorri.
maio 02, 2014
abril 11, 2014
Eu, ele e o Roberto...sempre.
Entre no meu carro na Estrada de Santos E você vai me conhecer
E que na minha idade Só a velocidade anda junto a mim
Preciso de ajuda, por favor, me acuda Eu vivo muito só
Eu me lembro do meu mundo Eu piso mais fundo, corrijo num segundo
Não posso parar
Um amor que eu tive e vi pelo espelho Na distância se perder
As curvas se acabam E na Estrada de Santos não vou mais passar
Não, não vou mais passar, oh
março 16, 2014
Na parede ou no chão
Deixei lá. Tudo como está. Sujo e bagunçado. Não me importo mais. Em terra de cego quem tem olho deveria é furar seu próprio olho pra não ter que conviver com a cegueira dos demais que teimam em dizer que o céu tem somente a altura de dois metros e nada mais. Que nada vai mudar... que a vida é só o que é hoje e ficar onde está é ótimo e suficiente.
Ai como me doem as asas por não voar! Ai como me dói tanta coisa que eu não posso dizer... Que hoje eu vou ignorar, deixar como está e me prender somente na esperança das minhas palavras.
Eu não tenho mais o que dizer, mas quero ficar aqui nessa cápsula, meu abrigo por toda a vida.
Eu cumpro todos os meus deveres como pessoa responsável que sou e se encontro um motivo pra sonhar, lá vou eu, com minha letra e meu violão nas costas nessa vida solitária em que todo mundo já está acostumado a viver. Eu rio de algumas coisas.... um riso triste, das coincidências que a vida traz. Vez ou outra penso se estou mesmo dando valor ao que importa. Sei que um dia me importei como o que não devia e aqui estou, me consolando nesta cápsula. Mas ainda existem decisões a tomar, vou ver até onde dá...
Engraçado, "ver até onde dá" já está errado.
maio 03, 2013
Parte de quê?
Não sei bem explicar o que aconteceu... eu simplesmente saí... não me sentia parte daquele lugar, daquelas pessoas...
Eu sei que elas são como eu em gênero, grau e estado civil, mas não sou parte.
Parte de quê?
abril 21, 2013
Latente...
adj (lat latente) 1 Que não se vê, que está oculto. 2 Dissimulado. 3 Subentendido. 4 Diz-se da atividade ou caráter que, em certo momento, não se manifesta, mas que é capaz de se revelar ou desenvolver quando as circunstâncias sejam favoráveis ou se atinja o momento próprio para isso.
Acredito que seja a melhor definição.
março 29, 2013
Ordem
Na verdade, quando falo "minha casa", eu começo a pensar em muitas coisas... Penso na minha casa física... penso no meu modo de viver, falar, pensar, entender a vida e as pessoas... penso na minha família, que agora é enorme... penso nos meus planos para o presente e o futuro... penso nos meus vizinhos e amigos... penso em meu relacionamento com Deus... Eu poderia ficar o dia inteiro citando coisas que entendo por minha casa.
A gente sempre acredita que está precisando de um móvel novo - talvez um tapete mais chique, um quadro mais descolado, um guarda-roupa maior. O que temos agora, não nos anima a fazer aquele faxinão, tirar a poeira e deixar mais agradável.
Mas, antes de tudo, tenho que parar, olhar para os quatro cantos e para dentro de mim e refletir: o que quero fazer da minha casa? Ou ainda, o que quero de Deus faça da minha casa? Não é só combinar a decoração com os móveis e deixar tudo bonito pra quem vê. Não é só mexer, deixar tudo bonito e dali a dois dias perder o senso e voltar outra vez para a bagunça.
Então, colocar ordem na minha casa deveria mexer muito mais com a gente do que mexe, simplesmente porque somos quase sempre distraídos.
É amadurecer na vida e em Deus.
É ser alguém mais coerente consigo mesmo e com o mundo, com a sua casa.
É perder tempo (ou ganhar) naquilo que é sagrado e eterno e está em toda parte e é o que nós somos.
março 28, 2013
Luz
E deixar escapar meus segredos esquecidos.
Quando escrevo me liberto por vezes,
Por outras, amarro meus dedos para não falarem mais que a boca que eles não têm.
É uma forma de ser eu
Ou era, porque muita coisa mudou e é preciso ser correta mais do que nunca.
Quando escrevo tenho que ficar quieta
Porque aquela luz, a luz das narinas
Que era eu, minha essência,
Já não mais pode ser
Porque não tem mais espaço nessa vida de agora.
Eu fui teimosa, quis trazer de novo a luz
Mas não mais me pode servir.
Eu escolhi.
Quando escrevo,
Nem sempre é por algum motivo
Mas na maioria das vezes, é pra chegar aos ouvidos de alguém.
março 23, 2013
Pós Tudo
Não vou dizer que é fácil tomar à mão novamente o lápis e voltar a escrever depois de tanto tempo sem nada a dizer. Mas sempre é preciso recomeçar, e voltar à paixão mais elementar... aquilo que eu amo e me completa, apesar de tudo, apesar da vida...
Quem saberá quantos vão passar por aqui? Quem saberá se o que vou escrever será bom o bastante para ser lançado ao mundo?
Não sabemos de muita coisa.
Seja bem vindo, novamente!
fevereiro 15, 2011
Estabilidade. Parece confortável e bastante.
Se parece estável, não precisa de movimento, não precisa criar um novo ponto de vista. É apenas continuar ali parado, esperando o cumprimento do fim de todas as coisas.
A estabilidade aprisionante acaba por condicionar a mente a borrifos pacatos de palavras igualmente estáveis, mornas e incolores. Apalpa a emoção e a empurra com o ímpeto de sua conformidade para além de qualquer forma de reencontro.
Quando temi pela primeira vez a estabilidade? Hoje.
Quando percebi que o mundo oscila e que as pessoas correm e modulam suas vidas, partindo para tons diferentes, muitas vezes, dissonantes.
Ela sorriu desavergonhadamente da minha cara e eu apenas a fitei com meus olhos de ironia. Quem és, Estabilidade, pra ousar pisar meus sonhos calejados ou meus desejos velados? Qual o seu prazer em encontram em mim a alegria de amputar o crescente?
Eu desestabilizo. Eu cresço. Eu sonho.
outubro 21, 2010
Reza
Moço alto do prédio
Estende seu olhar
Mira o horizonte verde à sua frente;
Eu estou ali
De volta, à sua procura
Encontra meus braços
Moço,
Pega a proxima condução
E vem pra perto;
Ouve a minha musica
Ela canta pra você
Se apresse, moço
Não pague com a mesma moeda
Escuta, sinta
Eu durmo agora
Antes da manhã, ainda o verei
Na pintura dos meus sonhos
No conforto de adormecer
Alto, moço
Pela manhã vou olhar
É quase domingo...
Se apresse, moço.
Amém.
